Quando eu era criança, imaginava que a vida era um filme e que eu era o ator principal. Brincava de imitar um personagem que o Tarcísio Meira fazeia numa novela e que tinha um tumor no cérebro, tendo fortes dores de cabeça. Fazia isso perto da minha avó para ver se ela acreditava e, assim, confirmar se minha atuação estava convincente. Também cheguei a tentar alguns efeitos especiais, como "faca cravada no coração" (colada com isopor, por debaixo da camisa e regada a catchup) para ver se minha mãe também acreditava que eu tinha sido morto, esfaqueado. Não matei elas do coração. Ou eu era muito canastrão ou elas não eram nada bobas. Provavelmente, as duas opções eram verdadeiras. A primeira peça que encenei foi em uma feira de ciências do colégio em um espaço cultural, com um barulho infernal de pessoas transitando em um local lotado; com um cenário improvisado com caixa de geladeira, como parede. Escrevi, dirigi, produzi e atuei nessa peça, com outros colegas. Acredito que o espetáculo mais interessante, ficou mesmo na "coxia" ou do lado de trás do cenário, onde todos os atores se expremiam e ficavam numa confusão e correria para entrar e sair de cena. Depois, participei de montagens mai organizadas para festivais de teatro estudantis e cheguei a ser indicado a melhor ator, mas não ganhei. Tive uma breve carreira de modelo. Participei de uma companhia de teatro na minha cidade e, com medo de morrer de fome fazendo teatro (depois de ouvir isso de várias pessoas), resolvi fazer faculdade de publicidade, pois gosto de escrever, desenhar, dirigir, no caso comerciais. Trabalhei como redator publicitário, mas no meu primeiro emprego a agência de publicidade fechou. Abri uma produtora de vídeo, que não vingou. Resolvi fazer outro curso superior, dessa vez educação física, por gostar de me exercitar. Cheguei a exercer a profissão como coordenador de um programa do ministério do esporte; professor de musculação e personal trainer. Mas sempre sentia que estava faltando algo em minha vida. Planejei tudo, juntei economias e resolvi mudar para o Rio de Janeiro, para tentar a carreira artística, sem conhecer ninguém. Ao chegar, fiquei hospedado em um albergue, depois aluguei um conjugado. Fiz muita figuração, no começo e até algumas delas tornaram-se pequenas participações, com a fala de uma palavra: "Alcatra!", fazendo o papel de um garçom em Ti Ti Ti. Também tive outras boas aparições em Passione como vendedor de carros com o Cauã Reymond e jornalista, com a Carolina Dickmen. Atuei também em alguns comercias. Este ano, ganhei o troféu Arlequim de melhor ator adulto, no Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro 2011; participei de 5 espetáculos, estando em cartaz com o quinto. Entre eles, fiz elenco de apoio na ópera Tosca, de Puccini, com concepção de Carla Camurati, no Theatro Municipal. Atualmente, estou no elenco de "Tambores na Noite", de Bertolt Brecht, quartas e quintas, 21h, na Casa da Gávea. Esperando e programando novos desafios para 2012!
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