segunda-feira, 18 de março de 2013

Diário de Bordo - 69º capítulo por Luciano Torres, ator Rio de Janeiro 2013 workshop Sergio Penna Muito mais que a recompensa, o mais importante é a jornada e o que ela nos faz evoluir como pessoa. Aí está o sentido de tudo o que se faz. E a viagem está apenas começando. Nunca se está totalmente pronto; a busca e os desafios sempre existem. A entrega é essencial. Comprometimento para com o trabalho, à equipe e ao público. Antes da imagem, sou sentimento, que flui em meu corpo e se reflete em minha respiração, transparecendo pelo meu olhar. Procuro entender uma outra realidade, um outro ser, uma outra maneira de ver a vida e de reagir a ela. Minha essência é mutável, fluida; mina alma precisa ser generosa para receber a alma de outros. Eu, metamorfo de mim e de todos os que precisam ganhar forma na arte. O som me remete a estados variados de emoções e comportamentos, pontuados pelo movimento do meu corpo entregue ao jogo. workshop Sergio Penna O jogo fica melhor quando não se diz nada; não se estabelece regras. Guardo a sensação da pessoa criada. Penso como a pessoa que vivo. Ela me toma, me absorve, me mostra coisas que eu jamais imaginaria por minha própria conta. A pessoa se revela em mim. Sou apenas o meio, o mensageiro do que ela quer comunicar ou viver. Torno-me a outra pessoa; o outro e ele é o mais importante. Sua essência se torna a minha essência. A disciplina é a base de tudo; pratico o que aprendo para manter corpo, mente e voz preparados para o meu ofício. Amplio minha cultura o máximo possível para aumentar o meu repertório e ajudar no meu trabalho criativo. workshop Sergio Penna Danço mesmo sem saber dançar; canto sem saber cantar; toco um instrumento musical; reflito sobre as ciências; filosofo; crio versos sem rima ou com, métricos ou assimétricos. O importante é criar; fazer; buscar. Trabalho com intensidade em tudo; faço sempre o meu melhor. Olho o mundo à minha volta. Tudo está em movimento. Os olhos que vêem são os mesmos que são vistos e mostram sua alma. O brilho do olhar vem de dentro; do sentimento. Está tudo lá. O mínimo contém o máximo que se pode expressar. Um arrepio percorre meus braços. Sinto a vibração do outro. O outro agora sou eu. E eu estou vivo, escrevendo meu próprio caminho. Não posso fugir do que sou, nem de quem sou. Muito obrigado por ter me proporcionado a melhor experiência de preparação e de exercício final de um workshop de cinema. Sem querer ser piegas, para mim foi mágico. Ao voltar para casa, no sábado, para continuar a compor e me preparar para o personagem, encontrei um vendedor ambulante no ponto de ônibus, que puxou assunto comigo depois que eu comprei um salgadinho. Era uma pessoa que amparentava ter uma tristeza latente e ser uma pessoa bastante esclarecida, falando de problemas atuais, com muito mais propriedade que eu. Procurei guardar comigo aquela essência e acordei chorando, no domingo, ao lembrar do encontro. Desde a hora de acordar, comecei a buscar o sentimento e a sensação de ser aquela pessoa, escutando a "set list" de músicas de estilos que eu costumava odiar de pagode e funk, até chegar ao RAMPA para continuar o processo. workshop Sergio Penna Como é bom se deixar anular e esvaziar um pouco para dar lugar a outra pessoa, sem preconceitos. No exercício final, surgiu uma vibração que levou o personagem para outra direção, não planejada por mim na construção. É incrível, como tudo acontece naturalmente, com a entrega e o que surge espontaneamente parece ter sido ensaiado. Por isso, considero mágico tudo o que aconteceu, porque se tivesse sido ensaiado ou programado, não teria sido tão perfeito. Uma conspiração de sensibilidades em prol do desenvolvimento artístico: você, o Gui (grande responsável por captar como ninguém nossos melhores momentos), o empenho na produção do Thiago e todos os seus colaboradores e todos os atores em busca de um aperfeiçoamento do ofício. Muito obrigado mesmo! workshop Sergio Penna


Diário de Bordo - 69º capítulo por Luciano Torres, ator
Rio de Janeiro 2013
workshop Sergio Penna
Muito mais que a recompensa, o mais importante é a jornada e o que ela nos faz evoluir como pessoa. Aí está o sentido de tudo o que se faz.  E a viagem está apenas começando. Nunca se está totalmente pronto;  a busca e os desafios sempre existem.  A entrega é essencial.  Comprometimento para com o trabalho, à equipe e ao público. Antes da imagem, sou sentimento, que flui em meu corpo e se reflete em minha respiração, transparecendo pelo meu olhar. Procuro entender uma outra realidade, um outro ser, uma outra maneira de ver a vida e de reagir a ela. Minha essência é mutável, fluida;  mina alma precisa ser generosa para receber a alma de outros.  Eu, metamorfo de mim e de todos os que precisam ganhar forma na arte. O som me remete a estados variados de emoções e comportamentos, pontuados pelo movimento do meu corpo entregue ao jogo. 
workshop Sergio Penna
O jogo fica melhor quando não se diz nada; não se estabelece regras. Guardo a sensação da pessoa criada.  Penso como a pessoa que vivo. Ela me toma, me absorve, me mostra coisas que eu jamais imaginaria por minha própria conta. A pessoa se revela em mim.  Sou apenas o meio, o mensageiro do que ela quer comunicar ou viver. Torno-me a outra pessoa;  o outro e ele é o mais importante. Sua essência se torna a minha essência. A disciplina é a base de tudo; pratico o que aprendo para manter corpo, mente e voz preparados para o meu ofício. Amplio minha cultura o máximo possível para aumentar o meu repertório e ajudar no meu trabalho criativo.
workshop Sergio Penna
Danço mesmo sem saber dançar;  canto sem saber cantar;  toco um instrumento musical; reflito sobre as ciências; filosofo; crio versos sem rima ou com, métricos ou assimétricos. O importante é criar; fazer;  buscar. Trabalho com intensidade em tudo; faço sempre o meu melhor. Olho o mundo à minha volta. Tudo está em movimento. Os olhos que vêem são os mesmos que são vistos e mostram sua alma.  O brilho do olhar vem de dentro;  do sentimento. Está tudo lá. O mínimo contém o máximo que se pode expressar. Um arrepio percorre meus braços.  Sinto a vibração do outro. O outro agora sou eu. E eu estou vivo, escrevendo meu próprio caminho. Não posso fugir do que sou, nem de quem sou.
Muito obrigado por ter me proporcionado a melhor experiência de preparação e de exercício final de um workshop de cinema. Sem querer ser piegas, para mim foi mágico. Ao voltar para casa, no sábado, para continuar a compor e me preparar para o personagem, encontrei um vendedor ambulante no ponto de ônibus, que puxou assunto comigo depois que eu comprei um salgadinho. Era uma pessoa que amparentava ter uma tristeza latente e ser uma pessoa bastante esclarecida, falando de problemas atuais, com muito mais propriedade que eu. Procurei guardar comigo aquela essência e acordei chorando, no domingo, ao lembrar do encontro. Desde a hora de acordar, comecei a buscar o sentimento e a sensação de ser aquela pessoa, escutando a "set list" de músicas de estilos que eu costumava odiar de pagode e funk, até chegar ao RAMPA para continuar o processo. 
workshop Sergio Penna
Como é bom se deixar anular e esvaziar um pouco para dar lugar a outra pessoa, sem preconceitos. No exercício final, surgiu uma vibração que levou o personagem para outra direção, não planejada por mim na construção. É incrível, como tudo acontece naturalmente, com a entrega e o que surge espontaneamente parece ter sido ensaiado. Por isso, considero mágico tudo o que aconteceu, porque se tivesse sido ensaiado ou programado, não teria sido tão perfeito. Uma conspiração de sensibilidades em prol do desenvolvimento artístico: você, o Gui (grande responsável por captar como ninguém nossos melhores momentos), o empenho na produção do Thiago e todos os seus colaboradores e todos os atores em busca de um aperfeiçoamento do ofício. Muito obrigado mesmo!
workshop Sergio Penna

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